Peça a qualquer pessoa que cite uma pintura e você quase certamente vai ouvir "Mona Lisa". Leonardo da Vinci começou a pintá-la por volta de 1503, e hoje ela está atrás de um vidro no Louvre, em Paris, atraindo multidões tão densas que a maioria dos visitantes a vê por menos de um minuto. Mas a fama dela tem uma história curiosa, e o quadro guarda mais estranhezas do que seu tamanho modesto, com apenas 77 centímetros de altura, faria supor. Estas são as histórias que valem a pena conhecer antes de olhar para ela de novo.

Ela foi roubada em 1911, e o roubo a transformou em superestrela

Durante a maior parte de sua existência, a Mona Lisa era admirada por artistas e estudiosos, mas não era o ícone global que é hoje. Isso mudou numa manhã de agosto de 1911, quando um faz-tudo italiano chamado Vincenzo Peruggia saiu do Louvre com o quadro escondido sob as roupas. Ele havia trabalhado no museu e conhecia sua rotina. O roubo só foi percebido mais de um dia depois.

A história explodiu nos jornais do mundo inteiro. Multidões iam ao Louvre só para olhar o espaço vazio na parede. Por dois anos, o quadro ficou escondido no quarto de Peruggia em Paris, até que ele tentou vendê-lo a um marchand em Florença, em 1913, e foi preso, alegando que só queria devolvê-lo à Itália. Quando a Mona Lisa voltou a Paris, já era a obra de arte mais famosa do planeta, e nunca mais abriu mão do título.

O sorriso funciona graças a uma técnica chamada sfumato

Olhe de perto os cantos da boca e dos olhos e você não vai encontrar uma única linha dura. Leonardo construiu o rosto com incontáveis camadas finas e translúcidas de tinta a óleo, deixando os tons se fundirem uns nos outros como fumaça. A técnica se chama sfumato, da palavra italiana para esfumaçado, e Leonardo foi seu maior mestre.

É em parte por isso que o sorriso parece mudar. As sombras suaves nos cantos da boca não dão ao seu olhar nenhum contorno firme onde se fixar, então a expressão parece um pouco diferente a cada vez que você olha. Não é um truque acrescentado por cima do retrato. É o próprio retrato, uma dissolução deliberada da pele no ar que nenhuma fotografia captura por completo.

Ainda não temos certeza absoluta de quem ela é

A identificação mais aceita vem do escritor Giorgio Vasari, do século 16, que afirmou que a modelo era Lisa Gherardini, esposa do comerciante de seda florentino Francesco del Giocondo. É por isso que os italianos chamam o quadro de La Gioconda e os franceses, de La Joconde. Uma anotação de 1503 feita pelo escrivão florentino Agostino Vespucci, descoberta numa biblioteca em Heidelberg, reforça essa versão ao mencionar que Leonardo estava trabalhando num retrato de Lisa del Giocondo.

Ainda assim, o debate nunca morreu de vez. Estudiosos e curiosos propuseram outras candidatas ao longo dos anos, e alguns se perguntam se o quadro final não teria deixado de ser o retrato de uma pessoa específica. Leonardo nunca o tratou como uma encomenda comum, o que deixa espaço suficiente para a pergunta continuar em aberto.

Leonardo nunca o entregou

Este é o detalhe que mais diz sobre o quadro. Se Francesco del Giocondo encomendou um retrato da esposa, ele nunca o recebeu. Leonardo ficou com o painel pelo resto da vida, levando-o de Florença a Milão, de Milão a Roma e, por fim, à França, retrabalhando-o pelo caminho. Um retrato encomendado deveria ficar pendurado na casa da família. Este virou um experimento particular do qual o artista se recusou a se desfazer até sua morte, em 1519.

É por isso que ele pertence à França, não à Itália

Muita gente se surpreende com o fato de o pintor mais famoso da Itália ser representado por uma obra-prima em Paris. A explicação é simples. Nos últimos anos de vida, Leonardo aceitou um convite do rei Francisco I da França e se instalou perto do castelo real de Amboise, no Vale do Loire, levando a Mona Lisa consigo. Quando morreu ali, em 1519, o quadro passou à coleção real francesa e, mais tarde, ao Louvre. Nunca foi saqueado nem confiscado. Simplesmente seguiu seu criador até seu último lar.

Monte-a como quebra-cabeça e você verá o que a maioria dos visitantes perde

Em meio à multidão do Louvre, você tem uns quarenta segundos com ela. Montar a Mona Lisa como quebra-cabeça lhe dá algo que os museus não podem oferecer: tempo com cada centímetro quadrado. Peça por peça, os detalhes vão aparecendo. A paisagem ao fundo não se encaixa direito. O horizonte à esquerda fica mais baixo que o da direita, então os rios sinuosos e as montanhas distantes parecem dois sonhos costurados atrás dos ombros dela. Você repara nas mãos calmas, cuidadosamente pousadas, algumas das mãos mais admiradas da arte ocidental. Você repara no véu escuro e transparente sobre o cabelo, tão sutil que muita gente nunca chega a vê-lo.

São exatamente esses os detalhes que o sfumato recompensa, e procurar a peça certa obriga você a estudá-los do jeito que Leonardo queria, devagar. A Mona Lisa está incluída na coleção gratuita "Amantes da Arte" do Artizen, um app de quebra-cabeças de arte para iPhone e iPad, reproduzida em alta resolução para que as pinceladas continuem nítidas até nas menores peças. Passe vinte minutos montando o rosto dela e o sorriso deixa de ser clichê. Vira um quebra-cabeça por si só, que é o que ele sempre foi.

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